sexta-feira, 19 de abril de 2013

A Caixa


Em junho de 2010 tive a grande felicidade de ir a Flip em Paraty, esse foi meu carnaval, foram dias cercado em meio a autores e pessoas de minha admiração. Na volta uma caixa inseparável dos livros que adquiri, a maioria autografados.
 
 
Quando o olhar  superava  toda a paisagem aos  meus olhos
Eram o mar, as ilhas, o caminho imperial,
Era o Rio de Janeiro, atravessando suas margens, seu cristo e seu pão de  açúcar.
Meus pais a sorrir e eu no mundo encantado de alguns dias
Já era volta, entre náuseas e curvas da estrada delimitada, meu olhar
Uma inspiração, o aconchego e a vontade de liberdade, que me inspira
Em cada olhar, uma nova expressão,  um novo sorriso  e uma nova vertente.
De uma hora para outra, surge uma reflexão, algo inesperado.
A Caixa
Ela está sozinha, um risco permanente
Mas o que faz  uma caixa sozinha, em uma estrada que mais parece o tal paraíso?
Fui indagado sobre  a caixa no bagageiro do ônibus.
Mas enfim uma parada naquela travessia e a caixa nomeada a subir de posição
Eu já não tinha aonde sentar, desde o momento em que vi um acento vazio.
Sentaria eu bem atrás, no meu lugar a caixa e ela  era apenas de  papelão.
Eu em minha  opinião formada, quase rejeição, não contive.
Indignação proferida, cogitei ser menos  importante que a caixa.
Ouvi  o inesperado, a caixa está cheia de seus sonhos
São livros e todos autografados por quem  tanto admiro, se perdidos serão só memórias.
Acordei naquele instante, a caixa não era a substituta do meu ponto de vista
Era eu e minhas armaduras
Era eu e meus versos, minhas palavras e meus valores.
Não me contive e continuei a olhar tal paisagem, agora não mais o mar belo
 Fixei meu olhar  na caixa
Entendi meus dias de Paraty e tudo a sua volta, sua feira, seus livros e seus sonhos
Voltas que a vida se certifica em dar, mesmo de tão longe
Em tão longe olhar, vi em mim mesmo a solidão
Vi  o quanto  aquela caixa traria de esperança e de alimento
Não eram  apenas  palavras, não eram só esperanças
Eram minhas fantasias e minhas orações deturpadas
Eram sonhos, histórias mal contadas
Eram meus valores, meus desejos e virtudes
Eram meus defeitos e mazelas, às vezes infrutíferas
Era tudo e é tudo que existe em mim.
 
 
 

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