Escreví " Vejo rostos sujos" aos 16 anos de idade, passaram 27 anos e as mesmas notícias, precisamos ser muito fortes para tentar entender ou simplesmente não entender a ignorância dos homens. Escrito 1986 Crato -Ce.
Mísseis orgulho traçando ignorâncias
Bombas químicas, bombas atômicas, o fim
O sorriso de uma criança afogado nas lágrimas do palhaço
Os brinquedos trocados por navalhas
O banho de sol trocados pelo banho de lua
Vejo rostos sujos
Neles, não consigo ver escrito o futuro
Perspectivas perdidas, debaixo dos viadutos
Não existem mais crianças?
Criam-se mostros?
Favelas, medo, frio as margens da vida
Meninos e meninas perdidas na lombra da cola
Sem brilho nenhum
O sonho Xuxa colorindo a vida na TV
Visto da calçada por algum menino buscando lixo
Pessoas no lixo vivendo o luxo
Enquanto verdadeiro luxo dorme no lixo
Calças rasgadas
Olhos sem brilhos
Navalhas ensanguentadas
Cassetetes, costas marcadas
Esse é o mundo racional da humanidade
Lágrimas nos olhos de quem busca outra realidade
Mágoas nos corações dos poetas
Ír a luta por todas as crianças
Hoje elas são animais em extinção

Nenhum comentário:
Postar um comentário