sábado, 20 de abril de 2013

Vejo rostos sujos


Escreví " Vejo rostos sujos" aos 16 anos de idade, passaram 27 anos e as mesmas notícias, precisamos ser muito fortes para tentar entender ou simplesmente não entender a ignorância dos homens. Escrito 1986 Crato -Ce.


Mísseis orgulho traçando ignorâncias

Bombas químicas, bombas atômicas, o fim

O sorriso de uma criança afogado nas lágrimas do palhaço

Os brinquedos trocados por navalhas

O banho de sol trocados pelo banho de lua

Vejo rostos sujos

Neles, não consigo ver escrito o futuro

Perspectivas perdidas, debaixo dos viadutos

Não existem mais crianças?

Criam-se mostros?

Favelas, medo, frio as margens da vida

Meninos e meninas perdidas na lombra da cola

Sem brilho nenhum

O sonho Xuxa colorindo a vida na TV

Visto da calçada por algum menino buscando lixo

Pessoas no lixo vivendo o luxo

Enquanto verdadeiro luxo dorme no lixo

Calças rasgadas

Olhos sem brilhos

Navalhas ensanguentadas

Cassetetes, costas marcadas

Esse é o mundo racional da humanidade

Lágrimas nos olhos de quem busca outra realidade

Mágoas nos corações dos poetas

Ír a luta por todas as crianças

Hoje elas são animais em extinção

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